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As manifestações bucais no **diabetes mellitus** (DM) são frequentes, multifatoriais e diretamente influenciadas pelo grau de controle glicêmico. A hiperglicemia compromete a resposta imune, reduz o fluxo salivar e favorece infecções e inflamação crônica.
As principais incluem:
- **Doença periodontal** (gengivite e periodontite) — a manifestação mais significativa e bidirecional; ocorre com maior prevalência, gravidade e progressão rápida no diabético, sendo considerada a sexta complicação clássica do DM. Constitui importante causa de perda dentária.
- **Xerostomia** (hipossalivação ou boca seca) — muito comum, decorrente de disfunção das glândulas salivares ou polidipsia compensatória. Aumenta o risco de cáries, erosão dentária e infecções.
- **Candidíase oral** (candidose) — infecção fúngica recorrente, especialmente no DM tipo 1 ou descontrolado, manifestando-se como pseudomembranosa (“sapinho”), eritematosa ou angular cheilitis.
- **Cárie dentária** — maior incidência, especialmente de lesões radiculares, devido à redução do poder tamponante da saliva e à maior presença de biofilme.
- **Síndrome da boca ardente** (burning mouth syndrome) e disgeusia (alteração do paladar) — queixas frequentes de ardor lingual ou mudança no sabor, sem lesões visíveis.
- **Atraso na cicatrização** — de feridas, úlceras traumáticas ou pós-cirúrgicas (ex.: exodontias), com maior risco de infecções e osteíte.
- Outras alterações: língua fissurada, lesões periapicais mais frequentes, maior predisposição a abscessos, halitose e, em casos graves e descontrolados, infecções oportunistas graves (ex.: mucormicose rinocerebral, rara).
O controle glicêmico rigoroso (HbA1c próximo da normalidade) é o fator mais importante para reduzir a gravidade e frequência dessas manifestações. Recomenda-se avaliação odontológica periódica, higiene bucal intensificada, uso de saliva artificial quando necessário e abordagem multidisciplinar entre endocrinologista e cirurgião-dentista.
As manifestações bucais mais comuns no paciente com psoríase incluem:
- **Língua fissurada** (sulcos profundos na língua), a alteração mais prevalente e associada à maior gravidade da doença.
- **Língua geográfica** (benign migratory glossitis), com placas eritematosas migratórias de bordas brancas ou amareladas.
- **Doença periodontal** (periodontite e gengivite), com maior prevalência e progressão.
- **Lesões mucosas** raras de psoríase oral propriamente dita: eritema difuso, placas brancas ou eritematosas, ulcerações, descamação gengival (gengivite descamativa) ou pústulas, geralmente em pacientes com psoríase cutânea grave.
Outras associações incluem maior risco de infecção por *Candida albicans* e ressecamento das mucosas. As lesões bucais tendem a fluctuar paralelamente às exacerbações cutâneas. O controle da psoríase e a higiene oral rigorosa são fundamentais, com avaliação odontológica periódica recomendada.
As manifestações bucais no **lúpus eritematoso sistêmico (LES)** ocorrem em 20-50% dos pacientes e constituem um critério diagnóstico importante.
As principais incluem:
- **Úlceras orais** — as mais frequentes (cerca de 30-40% dos casos), geralmente superficiais, aftosas ou eritematosas, localizadas no palato duro, mucosa jugal, língua e lábios. Podem ser indolores ou dolorosas, com borda eritematosa, e indicam atividade da doença.
- **Lesões discoides** — eritematosas centrais com bordas brancas elevadas e estrias radiadas (“padrão em escova” ou liquenóide), semelhantes ao líquen plano, predominantemente no palato, mucosa bucal e lábios.
- **Xerostomia** (boca seca) — frequentemente associada à síndrome de Sjögren secundária, levando a maior risco de cárie, candidíase e desconforto.
- Outras alterações: queilite angular, glossodinia (ardência lingual), pigmentações, eritema difuso, maior predisposição à doença periodontal e dificuldade de cicatrização.
As lesões bucais podem preceder o diagnóstico sistêmico, variar com a atividade da doença e requerem controle imunossupressor sistêmico associado a higiene oral rigorosa e acompanhamento odontológico periódico.
As manifestações bucais no **pênfigo vulgar** (a forma mais comum de pênfigo) são frequentes e representam, em 50-90% dos casos, o primeiro sinal da doença, podendo preceder as lesões cutâneas em semanas ou meses.
As principais características incluem:
- **Bolhas flácidas** que se rompem rapidamente devido ao trauma da mastigação, fala ou higiene, originando **erosões e úlceras irregulares, dolorosas e extensas**, com bordas eritematosas e fundo sangrante ou recoberto por pseudomembrana esbranquiçada.
- Localizações mais acometidas: mucosa jugal, palato (duro e mole), ventre e bordas da língua, mucosa labial, gengiva (podendo apresentar gengivite descamativa) e lábios.
- Sintomas: dor intensa, sensação de queimação, sialorreia, halitose, dificuldade para mastigar, deglutir e falar, com impacto significativo na alimentação e qualidade de vida.
As lesões bucais tendem a ser mais persistentes que as cutâneas e podem estender-se para faringe, laringe (causando rouquidão) e esôfago. O pênfigo foliáceo raramente acomete a mucosa oral.
O diagnóstico precoce é essencial por meio de biópsia com imunofluorescência direta. O tratamento baseia-se em corticosteroides sistêmicos e imunossupressores, associado a cuidados locais (higiene suave, analgésicos tópicos e dieta branda). O acompanhamento odontológico multidisciplinar é fundamental para controle das lesões e prevenção de complicações.
As manifestações bucais na **esclerose múltipla (EM)** são predominantemente indiretas, resultantes de déficits neurológicos, fadiga, alterações motoras, sensoriais e dos efeitos colaterais de medicamentos.
As principais incluem:
- **Nevralgia do trigêmeo** — uma das manifestações orofaciais clássicas e mais frequentes, caracterizada por dor paroxística, lancinante e unilateral na face, frequentemente desencadeada por estímulos como mastigação, escovação ou toque, podendo ser uma das primeiras manifestações da doença.
- **Xerostomia (boca seca)** — comum, decorrente da redução do fluxo salivar (hipossalivação) ou de medicamentos (ex.: antidepressivos, antiespásticos), aumentando o risco de cáries, doença periodontal, candidíase e desconforto.
- **Parestesia ou disestesia trigeminal** — dormência, formigamento ou sensação de queimação na mucosa oral, língua (“MS tongue”) ou face, podendo levar a mordidas acidentais, úlceras traumáticas e dificuldade na fala e mastigação.
- **Paralisia facial** (paralisia de Bell-like) — menos comum que na EM clássica, mas pode ocorrer.
- **Disfagia e disartria** — dificuldade para deglutir e falar, com maior retenção de alimentos na boca, favorecendo acúmulo de placa bacteriana.
- Outras associações frequentes: maior prevalência de doença periodontal (gengivite e periodontite), índice DMFT elevado (cáries, dentes perdidos e obturados), bruxismo, distúrbios da articulação temporomandibular (DTM), halitose, hipersensibilidade dentária e maior risco de infecções oportunistas (candidíase).
A dificuldade motora, fadiga e tremor comprometem a higiene oral, agravando as condições bucais. O controle rigoroso da EM, higiene oral adaptada (escovas elétricas, auxílio de cuidadores) e acompanhamento odontológico multidisciplinar periódico são essenciais para minimizar complicações e preservar a qualidade de vida.
As manifestações bucais na **fibromialgia** são predominantemente indiretas, decorrentes da sensibilização central à dor, fadiga crônica, distúrbios do sono, ansiedade e efeitos colaterais de medicamentos (antidepressivos, relaxantes musculares e analgésicos).
As principais incluem:
- **Disfunção temporomandibular (DTM/TMD)** — uma das associações mais frequentes (prevalência de até 94% em alguns estudos), caracterizada por dor orofacial, dor à palpação dos músculos mastigatórios e da articulação temporomandibular, limitação ou ruídos nos movimentos mandibulares, cefaleia e dor facial. A hiperalgesia generalizada da fibromialgia agrava significativamente os sintomas.
- **Xerostomia (boca seca)** — queixa comum (prevalência elevada, podendo chegar a 70%), muitas vezes associada à hipossalivação ou induzida por medicamentos, aumentando o risco de cáries, doença periodontal, candidíase e desconforto ao mastigar/falar.
- **Síndrome da boca ardente (glossodinia ou burning mouth syndrome)** — sensação de queimação, formigamento ou ardor na língua, lábios ou mucosa oral, sem lesões visíveis, frequentemente associada à disgeusia (alteração do paladar).
- Outras manifestações: parestesia oral, dor dentária atípica (sem causa odontológica evidente), maior sensibilidade durante procedimentos dentários, dificuldade de higiene oral devido à fadiga e dor muscular, e possível aumento na prevalência de doença periodontal.
Essas alterações impactam negativamente a qualidade de vida, alimentação e adesão ao tratamento odontológico. O manejo exige abordagem multidisciplinar, com controle da fibromialgia, higiene oral adaptada (escovas elétricas, fluoretos), tratamento sintomático da xerostomia (sialogogos, saliva artificial) e terapia conservadora para DTM. Avaliação odontológica periódica é recomendada para prevenir complicações secundárias.
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